ROCK N´ROLL E REZENHAS

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Blaze Bayley é um artista injustiçado ?


Blaze Bayley certamente é um dos personagens mais controversos e intrigantes do heavy metal moderno. Sua passagem pelo Iron Maiden foi envolvida desde o início num oceano de polêmicas. O peso de assumir o posto de frontman de uma das maiores bandas da história, substituindo um mito da música pesada, associado ao momento pelo qual passavam o grupo e o metal como um todo, fizeram com que sua participação na Donzela sofresse com um nível altíssimo de exigência, que culminou numa avalanche de críticas, beirando a execração pública. Quando sua saída e o consequente retorno de Bruce Dickinson à banda britânica foram anunciados, muita gente recebeu a notícia como se testemunhasse uma intervenção divina. Na época, uma minoria se preocupou em saber o lado de Blaze ou seus planos para o futuro, reservando-se à maioria o direito de apenas festejar o sonhado retorno de Mr. Air Raid Siren e Adrian Smith à banda, o que sugeria que Bayley seria condenado ao esquecimento.
Bayley tornou-se sucesso de crítica e, normalmente, aqueles que se dispunham a dispensar um pouco de seu tempo para ouvir os trabalhos do inglês, ou ficavam boquiabertos com toda a qualidade do material ou pelo menos avaliavam de forma positiva o novo som. No entanto, havia alguma coisa que fazia com que a carreira do cantor não deslanchasse de vez. Não dava pra entender como discos tão bons não conseguiam uma repercussão maior. É fato que a passagem pelo Iron deu ao vocalista uma notoriedade que lhe permitiu atrair bons músicos, além do que um disco de um ex-membro do Iron Maiden tem para si uma atenção maior do que se fosse o trabalho de uma banda de notórios desconhecidos. Só que, se ter o posto de vocal do Maiden no currículo pode trazer suas vantagens, pode também trazer grandes desvantagens. E, no caso de Bayley, isso acabou por se tornar quase uma maldição. Muitas pessoas nem sabiam que Blaze Bayley tinha uma banda pós-Maiden e com álbuns já lançados. Outros se limitavam a pensar da seguinte forma: ‘Blaze? Aquele cara que quase afundou o Maiden? Tô fora’. Dessa forma, não se dava sequer uma chance ao trabalho que o vocalista tinha a apresentar.

Imerso em problemas pessoais, com empresários, gravadoras ou distribuidoras, trocas de integrantes em sua banda, problemas no agendamento de turnês e tudo o que se possa imaginar, além de ter uma visão muito peculiar sobre o modo de funcionamento da indústria, o vocalista acabou tomando atitudes drásticas. Rompeu com os membros da antiga banda, com empresários e com a gravadora, tomou para si as rédeas da coisa e passou a tomar decisões referentes a todos os aspectos de sua carreira. Foi atrás de músicos que estivessem interessados em formar uma banda, com objetivo de compor, gravar e fazer shows. Criou um selo próprio, tornando-se assim um artista independente. Rebatizou a banda de BLAZE BAYLEY, segundo suas palavras, para evitar que houvesse qualquer dúvida ou confusão sobre sua presença no grupo. Após tudo isso, recomeçou a carreira e o primeiro rebento dessa nova fase foi o álbum “The Man Who Would Not Die”.

Quem acompanhou Blaze em sua então nova empreitada foram os guitarristas Nico Bermudez e Jay Walsh, David Bermudez no baixo e Lawrence Paterson na bateria. O disco pode ser descrito de várias formas, pois representa um misto do que o cantor já havia feito em carreira solo, mas apresenta um som mais maduro, um heavy metal clássico e enérgico, que bebia na fonte de bandas como o JUDAS PRIEST e com melodias que carregavam influência do próprio Iron Maiden. Ao mesmo tempo, mostrava momentos claramente influenciados por uma sonoridade thrash, além de trazer escancaradas as características básicas de Bayley: um misto de melancolia e resignação, com algumas pitadas de raiva. Alguém pode se perguntar: poxa, mas uma mistureba dessas poderia resultar em algo que preste? Não apenas resultou em algo de qualidade, como resultou num dos melhores álbuns de heavy metal desses últimos anos. É aqui que alguns dos caros leitores poderão parar e pensar: ‘peraí, tudo bem, pode até ser um disco legalzinho, mas não exageremos’. Justamente por esse tipo de pensamento é que o disco está entrando numa discussão sobre trabalhos injustiçados, pois não é exagero nenhum colocar o material como um dos lançamentos de maior qualidade observados nesses tempos mais recentes. Óbvio que tudo sempre será uma mera questão de gosto pessoal de cada um, agora o que não se pode é achar um absurdo exaltar esse álbum.

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